“As pessoas grandes aconselharam-me deixar de lado os desenhos de jibóias abertas ou fechadas, e dedicar-me de preferência à geografia, à história, ao cálculo, à gramática. Foi assim que abandonei, aos seis anos, uma esplêndida carreira de pintor.”
(Antoine de Saint-Exupéry)
Comprei o Pequeno Princípe em quadrinhos. É bonito, mas o que ganhei do meu pai quando tinha doze anos, uma edição bem velhinha, sem dedicatório alguma, é muito mais. Prefiro os desenhos em aquarela.
Sempre que acordo de acordar, de manhã, porque é assim que tem de ser; faço um filme das coisas pendentes e parece que não dormi.
Faz tempo que não digo aos meus avós que os amo, faz tempo que não saio pra fotografar, que não vou a lugares que gosto, que não tomo sopa.
Faz tempo que não leio um livro que me faça pensar, não vou ao médico, não olho pros dedos murchos depois do banho, não uso maquiagem, não escrevo, não me sinto bonita.
Faz tempo que não quebro um copo, não olho minha identidade, não furo o dedo, não tomo banho de rio, não escrevo de caneta, não ando de bicicleta.
Faz tempo que quero ter tempo e quando tenho não sei ter.
Uma meia verdade: a que tá esquentando meu pé agora.
Eu sou super sem graça e sinto muito frio nos pés.
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