•Julho 21, 2009 • 2 Comentários

Quando você fala bala, no meu velho oeste

Quando você diz, o que ninguém diz

Quando você quer, o que ninguém quis

Quando você ousa lousa pra que eu possa ser giz

Quando você arde, alardeia sua teia cheia de ardis

Quando você faz a minha carne triste, quase feliz.

[Zeca Baleiro]

[indo]

•Julho 1, 2009 • 2 Comentários

É até meio feio olhar lá de cima. O céu cinza e parte de uma construção imponente, daquelas que dá medo de entrar. Vez ou outra, a vontade é voltar pro seu canto. Levanta, olha pela janela, senta. 

Dorme mal há dias. Sente o embalo da vida. Está perturbado: - Faço o acredito? Quando alguém precisa acreditar no que faz , e até que ponto? Minhas escolhas determinam quem sou, quem vou ser?

Nunca se privou de experiências. Lhe impulsiona a curiosidade. Topa errar. Mantém a paciência sem esforço. Sente-se bem, talvez como poucas vezes sentiu. Precisa movimento. Incertezas, contradições, e crenças esquisitas sempre o motivaram. Segue no sonho. Quer acertar o passo.

nanda.

[perdão]

•Junho 18, 2009 • Deixe um comentário

Blog, você fez dois anos no início do mês e eu não postei nada aqui, não esqueci. Não tenho escrito nada além de trabalhos para a faculdade. Entre as leituras obrigatórias, tento encontrar tempo, ou melhor, trocá-las por coisas que gosto de ler.

Querido blog, desculpa ter abandonado você. Como ando de mal com as palavras, faço do trecho a seguir, as minhas.

“(…) a pressão aumenta como se fosse uma tempestade de relâmpagos pronta a se abater sobre meu cérebro. Cansado e sonolento por não dormir, ou pelo menos não o suficiente. Vivendo de remédios, telefonemas não dados, pessoas não vistas, páginas não escritas, pressão aumentando cada vez mais para causar algum tipo de ruptura e me forçar a seguir adiante. Tirar a poeira da estrada, terminar alguma coisa, exterminar esse hábito abominável de nunca chegar ao fim – de alguma coisa.” – trecho de Screw Jack, do Hunter S. Thompson.

P.S. Não desista de mim.

[comprimido]

•Junho 2, 2009 • 3 Comentários

É escrita a lápis e por isso apagam com facilidade. Antes fosse imprevisível, por curiosidade não ousariam sumir com o grafite e rasgar em pedacinhos. Fosse um respiro de vida formado pela grandeza da adjetivação que torna fértil os corações e dão fôlego à vida, mas nem isso. Fosse de tocar o céu e virar a ampulheta do tempo sem pressa alguma, uma dialética contraditória e perfeita, um apanhado de percepções sinceras com uma linguagem que não fosse a de sempre. Fosse uma vontade de escrever para outros, não só para si.

[porta]

•Maio 28, 2009 • Deixe um comentário

Foi o terceiro trinco em menos de um mês. Não era forte e tampouco batia a porta por raiva. Lhe escapava das mãos ué. Na primeira vez entrou na loja e pediu com um ar irônico, por um trinco dos que quebram bem fácil; como se o vendedor da loja fosse culpado pelo estrago. Na segunda resolveu investir num melhorzinho, sentiu uma coisa do tipo “agora devo ser simpática e educada”; coisa que brota e obriga a sei lá por que raios, a uma tentativa falsa e sem graça de explicação com cara de paisagem sem a menor necessidade, do tipo: – dessa vez foi minha irmã quem quebrou. Na terceira vez tirou o trinco da porta da lavanderia e pôs no quarto, odiava portas abertas, estava atrasada e de saco cheio.

[meia]

•Abril 29, 2009 • Deixe um comentário

“As pessoas grandes aconselharam-me deixar de lado os desenhos de jibóias abertas ou fechadas, e dedicar-me de preferência à geografia, à história, ao cálculo, à gramática. Foi assim que abandonei, aos seis anos, uma esplêndida carreira de pintor.”
(Antoine de Saint-Exupéry)

Comprei o Pequeno Princípe em quadrinhos. É bonito, mas o que ganhei do meu pai quando tinha doze anos, uma edição bem velhinha,  sem dedicatório alguma, é muito mais. Prefiro os desenhos em aquarela.

Sempre que acordo de acordar, de manhã, porque é assim que tem de ser; faço um filme das coisas pendentes e parece que não dormi.

Faz tempo que não digo aos meus avós que os amo, faz tempo que não saio pra fotografar, que não vou a lugares que gosto, que não tomo sopa.

Faz tempo que não leio um livro que me faça pensar, não vou ao médico, não olho pros dedos murchos depois do banho, não uso maquiagem, não escrevo, não me sinto bonita.

Faz tempo que não quebro um copo, não olho minha identidade, não furo o dedo, não tomo banho de rio, não escrevo de caneta, não ando de bicicleta.

Faz tempo que quero ter tempo e quando tenho não sei ter.

Uma meia verdade: a que tá esquentando meu pé agora.

Eu sou super sem graça e sinto muito frio nos pés.